O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, constituiu uma empresa voltada à criação de cavalos de alto valor comercial e aparece associado a veículos avaliados em R$ 1,38 milhão. Ele foi preso em Cuiabá pela Polícia Federal, no último dia 29.

As informações constam de um levantamento patrimonial da PF realizado no âmbito da Operação Tomada de Contas.

Entre os veículos identificados estão um Land Rover Defender, avaliado em R$ 735,2 mil, e um Mini Countryman, de R$ 214,3 mil. O relatório também relaciona uma Mercedes-Benz CLA 250, um Fiat Fastback, um GAC GS4 Elite e um reboque para transporte de animais. Os cinco automóveis somam R$ 1.388.464,00.

Segundo a PF, Grhegory criou a empresa Maia Reining Horses Ltda. em 22 de julho de 2025, com atividades voltadas à criação e reprodução de cavalos da raça quarto de milha, à comercialização de material genético, como embriões e sêmen, e à promoção de competições de rédeas.
Os investigadores destacaram que a abertura da empresa coincidiu com a aceleração dos pagamentos feitos pelo TCE ao servidor.

Para a Polícia Federal, o setor apresenta risco potencial de utilização em operações de lavagem de dinheiro, devido à dificuldade de estabelecer valores objetivos para animais e material genético e à limitada transparência de determinados registros comerciais.

O relatório, porém, não demonstra que a empresa tenha sido utilizada para lavar dinheiro.

Land Rover Defender, avaliada em R$ 735 mil (foto ilustrativa)

A investigação aponta também que Grhegory aparentemente vendeu uma caminhonete RAM 1500, modelo 2022, a Ricardo Guilherme Nabor Antunes de Almeida, filho do conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, durante o período investigado.

Além dos veículos, a PF identificou uma possível aquisição imobiliária registrada em abril de 2026, no valor de R$ 305,5 mil, em Campo Grande (MS).

A investigação aponta que Grhegory recebeu R$ 32.310.120,43 do TCE-MT, por meio de 217 lançamentos bancários, entre janeiro e 22 de outubro de 2025.

Segundo a PF, os recursos foram distribuídos entre contas mantidas em nove instituições financeiras, incluindo bancos tradicionais e plataformas digitais.

Os investigadores chamaram a atenção para a ocorrência de diversos pagamentos no mesmo dia, com valores semelhantes e destinados a contas diferentes. A PF considera a movimentação atípica e investiga a regularidade dos pagamentos.

O relatório também menciona a empresa G. P. P. M. M. Participações e Empreendimentos Ltda., uma holding patrimonial familiar da qual Grhegory participa com a esposa e o filho.

As informações sobre a criação da empresa de cavalos, os veículos e a holding constam das páginas 179 e 180 da representação da Polícia Federal.

A investigação não comprova, por si só, que os bens tenham sido adquiridos com recursos ilícitos. Os valores dos automóveis são referências da tabela Fipe, e não necessariamente os preços pagos nas aquisições.

A defesa de Grhegory não se manifestou. O espaço permanece aberto para posicionamento.

Fonte: MIDIANEWS/DOUGLAS TRIELLI DA REDAÇÃO